​O futuro da sala de aula

É sempre delicado falar do futuro, muitos confundem isso com adivinhação ou simples especulação. E quero deixar claro também que este texto é apenas uma pequena ponderação, mais um ponto de partida que de chegada.

Mas a verdade é que muito do que pensávamos que iria acontecer com a educação já está é ficando para trás, basta olharmos para as previsões que se faziam na década passada.

Havia uma preocupação com a tecnologia dentro da sala de aula, como ela seria usada, se deveria ser usada, se influenciaria no aprendizado, etc.

E o que vimos foi que tais preocupações estavam olhando para o lado errado.

Por exemplo, preocupava-se com o uso do computador em sala de aula, como deveríamos ensinar a usá-los, mas aconteceu algo extraordinário, o computador foi parar no bolso do estudante, praticamente todos os celulares de hoje possuem muito mais tecnologia do que qualquer computador usado há poucos anos.

Essa mudança forçou a se ter uma nova abordagem sobre o ensino e aprendizagem, trazendo várias conseqüências para o sistema de ensino. Uma delas é a tentativa de desmassificar o ensino, sem que haja uma elevação dos custos das instituições de ensino. E a tecnologia, em sentido amplo, fez muito para que a individualização do estudante fosse cada vez mais priorizada.

Eis algumas destas tecnologias:

Plataforma de Ensino Adaptativo

“São plataformas inteligentes que usam softwares que propõem atividades diferentes para cada aluno, sob medida, a partir de suas respostas e reações às tarefas. Nelas, os estudantes têm acesso a diversas experiências de aprendizado, tais como games, vídeos, textos, exercícios, atividades em grupo recebendo, em tempo real, feedback sobre seu próprio desempenho. Essa mensuração de desempenho também é usada para traçar um mapa de conteúdos, que vai cruzar as disciplinas para que ele consiga avançar simultaneamente em cada uma delas.”


Sala de Aula Invertida


A proposta é que o aluno veja antecipadamente o assunto que será abordado, antes de entrar na sala de aula, sendo que o ambiente de sala seja usado para o aprofundamento do aprendizado, eliminando as dúvidas remanescentes, contribuindo também com a individualização do ensino.

Gamification ou Gamificação



Muitos de nós passamos a metade de nossa infância dentre de salas de vídeos games, esse games foram ao poucos para dentro do quarto e conectaram-se ao mundo. A sala de aula usa alguns dos elementos desse mundo, pontos, metas, prêmios, desafios, etc, fazendo com que o estudante possa mensurar e avaliar seu progresso. Embora possa parecer que este tipo de metodologia tem o poder de gerar dispersão, o que se vem observando é justamente o contrário, que há um forte engajamento dos estudantes neste modelo.

Microlerning

Você já deve ter escutado o termo: Quanto mais, melhor. Essa tecnologia, ou metodologia, como queiram chamar, vem de encontro a esse paradigma. Pois, não é verdade que muitas horas de vídeo aula, por exemplo, traga tantos benefício de aprendizagem assim.

Essa ferramenta é possível ser usada para textos também, mas com os vídeos ganha mais eficiência, pois os conteúdos podem ser ministrados em pequenas doses, focando em uma parte do macro, mas sem que com isso torne-se superficial, pelo contrário, pode dar-se a profundidade necessária. Essa abordagem proporciona um grande aproveitamento do tempo do aluno, pois a exposição do conteúdo é feita de forma clara, direta e objetiva.

Outro ponto importante diz respeito à própria sala de aula, que está migrando, em parte, cada vez mais para o ambiente virtual. São incontáveis as universidades que disponibilizam cursos inteiros em suas plataformas, tais como Harvad  , StanfordPrincetonYalePUC-RIO, e a cada dia que passa temos mais universidades entrando nessa lista.

No Brasil, o professor, infelizmente, muitas vezes não tem como se preocupar com essa temática, pois falta até estrutura física para ministrar aulas, apesar disso não temos como nos furtar desta reflexão.

É claro que dificilmente teremos uma completa transposição da sala de aula para a internet, mas fica evidente que o professor e o aluno estão tendo que aprender a conviverem de uma nova forma, presencialmente e virtualmente.

O professor muitas vezes tem que lidar com equipamentos que nem imaginava: câmeras, microfones, edição de vídeos, armazenamento em nuvem, compartilhamento de arquivos, etc. E tudo isso às vezes para preparar o aluno para um profissão que talvez não existirá mais no futuro.

Já para o aluno a migração é quase que natural, já é comum a troca de artigos via celular, baixar um vídeo para entender melhor determinado assunto e fazer chats para tirar dúvidas, isso sem falar da incansável busca no Google por resposta quase prontas.

E você professor, o que deve fazer?

A resposta pode parecer estranha, mas o que você deve fazer é: SER ALUNO NOVAMENTE.

Você deve aprender constantemente como equilibrar esses mundos, físico e virtual, e somente poderá fazer isso se estiver em constante aprendizado, principalmente quanto às novas tecnologias lançadas.

Todo esse processo é muito mais complexo do que podemos imaginar, e o que de melhor podemos fazer é termos sempre a capacidade de adaptarmos às novas tendências, sabendo que muito do que funcionava não mais atende a dinâmica veloz do ensino, bem como muito do que está chegando também não vai ficar.

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