O que estudar para concurso público tem a ver com Olimpíadas?

A vida de concurseiro tem uma cara. Pode ser a da judoca brasileira, Rafaela Silva. Pode ser a do ginasta brasileiro, Diego Hypólito. Pode ser a do fenômeno na natação, o norte-americano Michael Phelps.

“Eu treinei muito depois da derrota em Londres. Eu não queria realizar o mesmo erro. Depois daquela derrota todo mundo me criticou, falaram que o judô não era para mim e que eu era a vergonha da minha família. Hoje eu pude fazer todos os brasileiros felizes com essa medalha aqui dentro da minha casa” – Rafaela Silva, em entrevistas após conquistar o ouro olímpico no judô nas Olimpíadas do Rio 2016. Ela, de origem humilde, vinda da Cidade de Deus, comunidade do Rio de Janeiro, começou a praticar judô por meio de um projeto social. Após mensagens de desculpas em 2012, por ter perdido nas Olimpíadas de Londres, ela pensou em desistir. Mas superou o racismo, a depressão e todas demais dificuldades. E com muito treino e força de vontade, conquistou, QUATRO ANOS DEPOIS, o sonhado lugar mais alto no pódio.

“Caí em Pequim, caí em Londres. É difícil enfrentar uma Olimpíada depois de duas quedas. Mas dei a cara a tapa. Queria muito fazer a minha parte e consegui. Encarei como se estivesse em uma Copa do Mundo ou Mundial” – Diego Hypolito, em entrevistas após conseguir uma excelente pontuação que levou a equipe brasileira para a final da Ginástica Artística nas Olimpíadas do Rio 2016. Não conseguiu a medalha por equipes, mas já é ouro no exemplo superação. Em 2008 ele chegou a dizer que “Foi uma morte para mim”, referindo-se aos tombos que levou nas Olimpíadas de Pequim. No entanto, passou por cima de críticas, de uma depressão, voltou aos treinos e em sua estreia no Rio foi ovacionado. Ainda tem chances de garantir uma medalha e já disse que não vai parar por aí.

“Não sei se houve gente tão determinada e obsessiva como eu. Se coloco uma coisa na cabeça não há nada que se interponha em meu caminho. Os objetivos que me propus para este verão são tão gigantescos, que não sei se houve gente disposta a assumir a quantidade de dor que suportei ou submeter-se à quantidade de trabalho duro que sou capaz de suportar” - Michael Phelps, em entrevista ao jornal El País, dias antes de iniciar as Olimpíadas do Rio 2016. Nestas ele já conquistou 3 medalhas de ouro até agora. Ao todo, em sua carreira, são 25 medalhas, sendo 21 de ouro. Mas nem tudo na vida dele foram pódios. O grande campeão passou por momentos difíceis entre 2012 e 2014; entrou em depressão, parou, mas encontrou forças, apoio na família e voltou com tudo aos treinos. Comentou que disputar as Olimpíadas no Rio era um objetivo. É, percebemos o quanto ele tem sido feliz nesse objetivo!

O que eles têm em comum com a gente? Tudo! É impossível ficar indiferente ao momento olímpico em que vivemos, nós sabemos. Mas mais do que torcer pelos nossos atletas, nós, concurseiros, temos muito o que aprender com eles. Em meio aos relatos inspiradores de Rafaela, Diego e Michael, nos identificamos imediatamente em quase tudo: caminhos nada fáceis, trajetórias suadas, acertos, erros, pensamentos de desistir, superação, incessantes horas de treinos e o momento da consagração.

Quando alguém decide ser uma judoca, um ginasta, um nadador, um atleta profissional, paga-se um preço para alcançar o objetivo ou sonho mesmo. E com o concurseiro não é diferente. Sem dedicação não há sucesso! E todos nós sabemos disso. Inclusive, vimos os exemplos do começo do artigo. Mas muitas outras características dos atletas e de suas rotinas nos servem e muito de exemplo. E é sobre algumas delas que também hoje falaremos com você.

Foco – Palavrinha que a gente já incorporou em nosso vocabulário. Nessas Olimpíadas percebemos o quanto os atletas são pessoas bem, mas bem focadas mesmo. Sabem o que querem, mesmo que isso custe noites e noites de sono, custe lesões, custe mudanças físicas. Assim como um atleta, a gente renuncia muita coisa. Claro que temos que ter horário para tudo, inclusive para o lazer, mas não se engane: as renúncias são bem mais e em muitos momentos, até mesmo em família. Temos que estar dispostos a isso e ter muito bem claro em mente que elas têm que existir, são parte de um processo, de um treinamento, são necessárias para uma boa preparação e a consequente aprovação. E compreenda e não se deixe abater: na maioria das vezes, só quem convive diariamente conosco ou quem está neste mesmo barco é que entende esse caminho.

Metas – Qual seu objetivo final? Estabeleça metas para alcançá-lo. Os atletas trabalham assim também. Alguns sonham com um ouro olímpico e estabelecem metas diárias, semanais, mensais, anuais. Para melhor visualizar, escreva em um papel o que pretende alcançar, bem como os percalços que deverá ultrapassar. Deixe esse papel em um local que você possa ver diariamente e vá riscando aquilo que for cumprido. Isso te deixará ainda mais otimista.

Planejamento – os atletas também têm um planejamento pensado no treino, em cada competição e no objetivo maior. No nosso caso, saber o que vamos estudar em cada dia, quantas revisões devem ser feitas, simulados, provas, tudo isso está no planejamento. Seja no esporte, seja nos estudos, ele direciona as nossas ações por determinado período. E planejamento faz parte do que é ser organizado, ingrediente fundamental para nossa aprovação. Falamos em outro artigo sobre Organização. Vale a pena conferir!

Disciplina – vejo isso como a máxima do esporte. A Rafaela Silva esperou quatro anos para a próxima Olimpíada. “Quatro anos? Está longe”. Imagina se ela pensasse assim e não tivesse a disciplina necessária durante esse tempo. Certamente não teria conseguido o tão almejado ouro neste ano. Os atletas seguem estritamente uma rotina de treinos, alimentação, descanso. Quando a gente tem disciplina, tudo se torna mais produtivo. Até mesmo quem quase não tem tempo, trabalha o dia todo, tem ainda os afazeres domésticos. Quando há disciplina, o pouco tempo que tem se torna eficaz, as madrugadas viram dias. Trazendo para os estudos, enumere as suas atividades e insira-as na sua rotina diária. O que farei pela manhã? À tarde? À noite? Além disso, faça, ou pelo menos, tente fazer todas as suas tarefas sempre no mesmo horário (por exemplo, de segunda a sexta acordar às 6h, estudar às 7h, alimentar-se às 12h, descansar às 14h, atividade física às 17h, dormir às 23h).

Treinamento - Eu treinei muito depois da derrota em Londres “, trecho do relato da Rafaela Silva. E foi assim que chegou o momento mais esperado por ela. Os atletas têm uma rotina incessante de treino. Imagina chegar em uma Olimpíada sem ter treinado ou não o suficiente? Claro que ela não teria chegado onde chegou. A gente se aperfeiçoa é treinando. Caindo e levantando. Errando e acertando. Nos tornamos melhores quando superamos nossos limites e quando somos melhores do que aquele que é o melhor. Amigos, e só conseguiremos o nosso objetivo assim. Dia e noite, noite e dia estudando, estudando, estudando. Lendo, assistindo às videoaulas e, o principal, fazendo muitas, muitas questões.

Motivação – o treinamento é sofrido mesmo. Tenha certeza que não vai ser diferente. É completamente natural que seja assim e faz parte de qualquer processo em que se pretenda atingir algo, ainda mais a longo prazo, como é o caso também de concurso público. Para que a nossa rotina seja menos dolorosa, tenhamos a motivação de atletas. Eles são muito motivados! Todos nós somos movidos por alguma motivação ou várias. Busque-as. Além do lado profissional, está estudando para que? Mudar de cidade? Comprar um apartamento? Ajudar a família? Casar? A motivação também engloba comemorar cada conquista, por menor que possa parecer. Conseguiu se sair bem em um simulado? Conseguiu cumprir a meta do mês? Fique feliz por isso e incorpore como motivação, pois esses pequenos resultados são avanços dados em direção ao seu objetivo maior.

Persistência/determinação – se tem algo que os atletas não fazem é desistir. Passam por dificuldades, sofrem lesões, param por um tempo, recuperam-se, mas não desistem. Vimos bem isso nos relatos dos atletas do começo do artigo. O que eles têm em comum é isso: persistência. A Rafaela Silva poderia ter parado frente às suas dificuldades financeiras, aos preconceitos, à sua derrota, mas não, superou a si mesma, continuou firme e forte no seu propósito até alcançá-lo. Detalhe: quatro anos depois. Ou seja, é a longo prazo mesmo. E sempre há tempo, mas nunca tempo a perder. E não pense que a sua vida é a única que está difícil, que só você tem dificuldades. Não é mesmo! Até o maior medalhista olímpico de todos os tempos, o grande campeão Michael Phelps passou por momentos muito difíceis até ser o que é hoje. Mas lembre-se do que ele disse: “não sei se houve gente tão determinada e obsessiva como eu. Se coloco uma coisa na cabeça não há nada que se interponha em meu caminho”. Vamos fazer como ele, como eles. Quando se é determinado e tem um propósito as dificuldades perdem força. A persistência é o caminho do êxito!

O esporte é um grande ensinamento para todos os âmbitos da vida. E para os concursos não seria diferente. Nós, concurseiros, temos mais em comum com um atleta do que se imagina. As conquistas de medalhas de um atleta não vêm de sorte ou, como muito se fala, talento. Sorte e talento são resultados de muita dedicação, treinos intensos, cumprimento de metas, superação, força, determinação, disciplina. Para nós, para a conquista da tão sonhada vaga, a ordem é essa também. A vitória só é possível se houver tudo isso relacionado à causa de cada um. E aos nos espelhamos nos atletas, tenhamos em mente que, embora o Michael Phelps tenha sido imbatível, um mito, ele não é um "ser de outro planeta". Apenas tem um pensamento de campeão, age como tal, deve ter uma dedicação maior do que os outros, equilíbrio emocional, ou como bem ele falou, “não sei se houve gente disposta a assumir a quantidade de dor que suportei ou submeter-se à quantidade de trabalho duro que sou capaz de suportar”. Vamos trabalhar duro, amigos. Quer dizer, estudar duro! 

E então, concurseiro, qual a sua cara? Vamos juntos incorporar esse espírito olímpico e ser Rafaelas, Diegos e Michaels dos concursos públicos.

Bons estudos e grande abraço!!!

Artigo escrito por Nahiza Monteles

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