Gere valor para sua aula

“O valor está no que você faz com o que sabe”. Quem proferiu esta frase foi o instrutor de artes marciais e ator norte-americano, Bruce Lee. Creio que muitos aqui já o viu na telona ou pelo menos já ouviu falar dele. Mas o que ele tem a ver comigo e com o que faço? Você deve ter se indagado. Com Lee ator e lutador, talvez não possa ter algo em comum, mas com o que ele disse tem e muito! Como ressaltei no último post, a aula tem início muito antes dela começar de fato e, a partir de então, dei algumas dicas que pudessem ajuda-los a organizá-la e a administrar seu tempo. Só que depois de toda a preparação a aula tem que começar. E hoje a nossa conversa será exatamente dentro dela e o que fazer para agregar valor e torná-la mais construtiva e prazerosa.

Imagine a seguinte a situação. Você está com a agenda atualizada, tem tudo programado, fez o plano de aula, atualizou materiais, estudou bem o conteúdo, mas quando efetivamente tem início a aula, nada deu certo. Não foram atendidas as expectativas do seu público, que não gostou do que viu. Isso é comum acontecer. Porém, nada reconfortante. Portanto, para começar o nosso papo, convido você a pensar e responder algumas perguntas que façam uma reflexão

1- Sua aula é boa?

2- O que faz para que sua aula seja mais construtiva?

3- Qual o valor que consegue passar para seus alunos?

4- Quais oportunidades que dispõe para captar informações de seu público?

5- O que você faz na aula com o que sabe? (olha aqui o Bruce Lee lá do comecinho do texto)

Talvez muitas respostas, algumas imprecisas ou até nenhuma. Mas logo mais vou responder junto com você. Antes de mais nada, o que temos de certeza é que o conhecimento é um campo aberto. Os mesmos princípios, aquele método já tão batido, as velhas visões e teorias, muitas certezas absolutas já deixaram, há muito tempo, de despertar interesse. Aprender o conteúdo não é mais o único objetivo do aluno. Diante de um cenário em que quase todos têm acesso a tudo, a qualquer tempo e de formas diferentes, a aula requer, mais do que nunca, habilidades e métodos de ensino mais inovadores para que o seu público esteja sempre motivado, ao mesmo tempo em que ele consiga atingir o objetivo ao “contratar” os seus serviços (professor – empresa – marca – produto. Lembra?!). Isso é gerar valor para a aula. E como conseguir?!

Com algumas práticas comuns e outras não tanto convencionais, vou ajuda-los a alcançar este propósito e que também responderá àquelas perguntas que fiz você refletir.

Linguagem clara – Como mediador do conhecimento, você tem que adotar métodos que facilitem o aprendizado. Para tanto, o primeiro passo está na linguagem. Não é necessário utilizar palavras difíceis, rebuscadas. Isso dispersa o aluno e afasta-o do aprendizado. Conheça seu público e fale a língua dele, mas sempre primando pela clareza. Não é preciso abandonar a linguagem técnica, mas ela pode conviver harmoniosamente com a oralidade, com um linguajar mais típico do cotidiano. Claro que dependendo da disciplina, certamente o aluno terá que dominar alguma linguagem técnica. No entanto, o uso excessivo dela faz com que ele não crie empatia com o conteúdo.

Engajamento – Não cabe mais em uma aula o assunto delimitado, onde o aluno escuta, vê, anota, pergunta. É preciso apreender. Tão valioso quanto passar bem o conteúdo, é fazer uma interlocução entre teoria e prática. O resultado positivo que o aluno busca e você também vem muito do engajamento que se faz daquilo que se estuda. Mostre cases, exemplos reais, o que acontece efetivamente na prática daquilo que você ensinou na aula. 

Pegando a disciplina Direito Constitucional. Gosto de dar esse exemplo (sem partidarismo algum), devido ao cenário político que estamos a vivenciar. Pois bem, no assunto Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário) dá para fazer ligações com o rito do processo de impeachment da Presidenta Dilma. Qual o crime de responsabilidade, quantos votos precisará passar pela Câmara para ir ao Senado, a partir de quando a Presidenta precisará se afastar durante 180 dias, de que forma o STF age nesse processo. Vamos agora para Direito Administrativo. Tendo como assunto princípios, atos administrativos, tem como o exemplo na prática a nomeação do ex-presidente Lula como Ministro, que foi considerada como desvio de finalidade. Mas claro, toda a contextualização deve ser feita sempre primando pelo que se atém o conteúdo e o que o aluno busca, evitando-se uma fuga do assunto e dispersão.

Interatividade – hoje em dia competimos a atenção dos alunos com smartphones, tablets, redes sociais e diversos aplicativos. Então caso queira que sua aula prenda a atenção deles e que atinja o objetivo dos mesmos, não dá para se ater apenas ao uso de quadro, slides, leituras e exercícios. A tecnologia pode ser um excelente aliado para deixar sua aula mais produtiva e dinâmica. Na disciplina de Português, sugira que o aluno corrija, para ele mesmo, se necessário, o português do cantor ou ator famoso que ele segue no facebook ou no twitter, por exemplo, relacionando com o assunto que foi ministrado. Crie vídeos, compartilhe sites e conheça novos aplicativos ou até mesmo produza e interligue com sua aula. 

Conheço um professor que desenvolveu um aplicativo em que ensina assuntos de Direito Administrativo de forma musicada. Isso mesmo! Ele criou músicas e a letra delas é o conteúdo da disciplina. Dá para aprender ouvindo enquanto dirige, trabalha, faz os afazeres domésticos. Quando achar que a disciplina cabe, leve para a aula textos, músicas ou minidocumentários que possam adicionar mais informações para o conteúdo. Conheça as preferências de seu público. Podem ser levadas para a aula conteúdo que esteja relacionado com aquela série do momento, por exemplo. Um interessante método que faz com que os alunos tenham uma imediata identificação.

Criatividade – abuse dela. Tudo pode gerar dispersão para o aluno. Então nada melhor do que sair daquela linearidade da aula para que ele esteja sempre atento. Crie uma linguagem própria ou bordões que facilmente farão que o conteúdo e a aula sejam lembrados. Conheço um professor de Português que criou danças para determinado conteúdo. Outro, a cada início de alguma videoaula com assunto novo, coloca uma música qualquer, de variados estilos, para levantar o ânimo de quem está do outro lado da tela.

Debates – não fique preso em longas e intermináveis discussões sobre o assunto com alunos específicos. Os demais se sentirão excluídos. As respostas dos professores devem ser pontuadas pela brevidade, naquelas que não interessam a toda a turma, ou até mesmo pode se dirigir ao aluno que fez a pergunta e falar que responderá no final da aula. Caso interesse a todos, promova a interação, jogue a pergunta para os demais para que respondam junto com você.

Relação – Crie e mantenha uma relação honesta com os seus alunos, numa relação de troca mútua de aprendizado, fazendo com que ele esteja determinado e preparado para enfrentar questionamentos, oportunidades e desafios. Instigue uma amizade saudável, criando grupos de discussão que vão além sala de aula, seja físico ou mediante o uso da internet. Eles se sentirão mais próximos de você, saindo daquela relação estreita aluno-professor, o que resultará também em um interesse maior por aquilo que você se propõe a ensinar durante as aulas. Afinal, sempre farão ligação com aquilo que você de passa de exemplo como profissional e pessoal para ele.

Como vimos, tão importante quanto o notório conhecimento e organização, é preciso gerar valor para a aula. É nela que o seu público terá o primeiro contato com você e a consequente permanência com o seu trabalho. Claro que isso é uma missão um tanto às vezes complexa. A construção de uma aula prazerosa e inesquecível para seu público é um exercício diário e conjugado com diversas práticas, que só teremos certeza se são adequadas colocando-as em prática, errando, acertando. Portanto, aproprie-se dessas ações e de outras que tenha conhecimento para expandir a vontade de aprender, que estimule a presença do seu público e facilite a busca por um convívio mais agradável em aula. As melhores aulas, o professor que é lembrado, são os que fazem com que os alunos sejam compreendidos, estimulados e gratos pelo aprendizado adquirido e pelo objetivo atendido.

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